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Boletim Eletrônico - N° 608 - #3
  
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Cães e outros bichos-terapeutas ajudam ser humano a cuidar da saúde

Nem só de cavalos é feita a terapia com animais. Outros seres de quatro patas (e até os duas asas) são usados para ajudar o ser humano a cuidar de sua saúde e a lidar com suas limitações.

O denominador comum a todas as terapias com bichos é a facilidade de estabelecer vínculos com os animais e o conforto emocional que eles trazem, segundo o fisioterapeuta Vinícius Ribeiro, diretor da ONG TAC (Terapia Assistida por Cães).

As características de cada espécie são usadas para criar diferentes estratégias de tratamento. Por exemplo, aves, como o papagaio, são boas em terapias com autistas.
'A criança faz um ruído e a ave imita. É um retorno sensorial muito grande', diz a psicopedagoga Liana Santos.

Tartarugas entram em jogos de tabuleiro para ajudar casos de agitação excessiva e de ansiedade -e haja paciência para esperar o bicho percorrer as casas até chegar ao ponto estabelecido.

Coelhos anões são usados para desenvolver a coordenação motora: segurar aquela bolinha de pelos macia e que não para de se mexer é um ótimo exercício.

As grandes estrelas, no entanto, são os cães. Além da empatia fácil, o hábito cultural de tratar o cachorro 'como gente' faz dele um mediador de conflitos.

'O animal é um catalisador de emoções, a pessoa expressa seus sentimentos por meio dele: diz que quem está triste, cansado, chateado é o cachorro', exemplifica Ribeiro.

Os cães também podem ser adestrados para objetivos terapêuticos específicos -de fazer fisioterapia com o paciente a reconhecer quando a pessoa precisa de afeto.

Em alguns países, há cachorros sendo treinados para serem cuidadores de idosos com Alzheimer. 'Eles evitam, por exemplo, que a pessoa saia sozinha e se perca', conta Ribeiro.

A presença de um cão também provoca a liberação de hormônios ligados a sensações prazerosas.

'Estudos com autistas mostram que o convívio com o cachorro aumenta a liberação de oxitocina, hormônio ligado ao afeto e à interação social', diz o fisioterapeuta.

Nesse clima, até uma cansativa sessão de fisioterapia parece ser feita sem esforço. 'Que criatura. A gente vê nos olhos dela que está gostando', diz Manuelina de Moraes Santa Lúcia, 81, beijando sua 'treinadora', a pug Filó, 3, depois de passar quase uma hora fazendo exercícios com os cães da TAC.


Fonte: Jornal Floripa - Publicado neste site em 23/04/2012

 

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