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Cuidado com o cão!: arqueóloga desvenda segredo de mosaico romano


Uma equipe de arqueólogos britânica efetuou escavações em Pompeia e encontrou um mosaico que tem inspirado as pessoas ao longo de séculos.

Uma equipe de arqueólogos encontrou uma gravura de um cão em Pompeia, Itália. Como explicou a arqueóloga Bethany Hughes, o mosaico em questão serviu de inspiração para milhões de peças que hoje podem ser vistas nas entradas de moradias por todo o mundo.

A antiga cidade romana de Pompeia, que ficou coberta por camadas de cinzas vulcânicas durante a erupção do Monte Vesúvio há quase dois mil anos, produziu uma série de interessantes descobertas arqueológicas. Estas nos mostram como eram a vida e os costumes dos cidadãos daquele império.

Segundo o jornal Daily Express, Bethany Hughes, arqueóloga e apresentadora da série de televisão Segredos dos Maiores Tesouros de Pompeia (Secrets of Pompeii's Greatest Treasures), encontrou um mosaico no chão representando um cão com um aviso dizendo 'Cave Canem', que significa 'cuidado com o cão' em latim.

A líder da equipe de arqueólogos descreve o mosaico como 'uma das obras de arte mais celebradas, imitadas e replicadas do mundo inteiro', observando como ele inspirou milhões de avisos semelhantes nas entradas de moradias ao longo dos séculos. A arqueóloga britânica confessa que gosta dele por uma série de razões, 'em parte por causa da história que conta e em parte por causa da forma habilidosa como foi feito'.

Mosaico com imagem de cão em Pompeia, Itália

'Olhando para este mosaico, vemos que é composto por centenas e centenas de pequenos cubos de pedra e pode levar uma semana inteira a ser criado por uma equipe de artesãos altamente qualificados. Cada peça era talhada à mão e colocada no mosaico enquanto os donos os observavam fazendo magia diante dos seus olhos', disse Hughes.

'Basta ver como o artista compôs este animal feroz, usando pequenas peças vermelhas de pedra para representar a boca. Este não é nenhum cachorro de colo, [...] é um cão de guarda com os olhos focados e os dentes afiados. É realmente intimidante, um aviso para qualquer pessoa corajosa ou tola o suficiente para tentar entrar em casa sem ser convidada'.

Para que serviam os cães?

Ela acrescentou que Pompeia era 'um lugar onde havia muitos crimes e, muitas vezes, as pessoas não saíam à noite'.

'Então isto não é apenas uma fantasia, esta era uma sociedade onde podia haver problemas ao virar da esquina', observou a arqueóloga. 'Acho que sempre imaginamos o Império Romano como avançado e hiper civilizado, mas na verdade havia um problema real de crime de rua, e quase não havia força policial. Sabemos que os crimes eram bastante frequentes'.

Segundo a descoberta, a análise dos restos dos cães que ficaram presos na cidade durante a erupção permitiu aos pesquisadores deduzir que se tratavam de cães de guarda, comparando os restos com os mosaicos, observou Hughes.
'Os resultados desses testes nos dizem que os descendentes diretos dos antigos cães de guarda ainda estão conosco, o mastim napolitano', disse ela. 'Estes extraordinários cães descendem de um cão extinto, chamado Molosso, e eram usados pelos romanos como cães de caça, cães de guarda e cães de guerra. Eles amarravam-lhes uma armadura e enviaram-nos para combater'.


Fonte: Sputnik Brasil - Publicado neste site em 30/06/2020


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