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Boletim Eletrônico - N° 1137 - #3
  
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Cães pastoreios conquistam pecuaristas do Triângulo Mineiro

Em Uberaba, uma escola adestra os animais que chegam a valer R$ 7 mil.
São cinco propriedades rurais na região que utilizam o serviço de cães.

Cão uberaba (Foto: reprodução/TV Integração)
Cão pastor cuida do rebanho de ovelhas
(Foto: reprodução/TV Integração)

Donos do título de melhor amigo do homem, os cães estão se tornando também os melhores amigos do homem do campo. Em Uberaba eles são treinados para o pastoreio, atividade utilizada em apenas cinco propriedades rurais do Triângulo Mineiro, mas que vem apresentando aumento de adeptos nos últimos anos.

Em uma escola para cães pastores da cidade, eles aprendem a obedecer ordens apenas ao ouvir o barulho do apito, o qual determina a velocidade em que as ovelhas devem ser tocadas.

Na escola aonde Neucimar Nunes trabalha como adestrador, quem faz o trabalho é uma ‘profissional’ formada no mesmo local. É a Sara, uma Border Collie treinada especificamente para o trabalho no campo. “Não é qualquer cachorro que pode ser adestrado. Geralmente temos as raças específicas para trabalhar, entre elas o Border Collie, a mais completa e preferencial. Depois de escolhido, fazemos uma leitura desse cachorro e o que ele tem para oferecer dentro do trabalho e as aptidões”, explicou Neucimar.

Cão uberaba (Foto: reprodução/TV Integração)
Adestramento começa com os cachorros ainda
filhotes (Foto: reprodução/TV Integração)

O centro de treinamento recebe os cães ainda filhotes. No local, o adestramento é feito de forma progressiva. Primeiro, o cachorro é colocado em um rebanho manso, em um espaço pequeno. Quando o cão começa a evoluir, a área é ampliada. Aos poucos ele começa a responder aos comandos, os quais podem ser por apitos ou palavras. A arma utilizada pelo cachorro, no entanto, é apenas o olhar fixo e forte. “Costumamos dizer que os comandos são os apelidos dos movimentos dos cães. Então, simplesmente apelida os movimentos que eles fazem naturalmente. E a pessoa que vai conduzir o cão, aprenderá como conduzir o cão dela”, ressaltou o adestrador.

O tempo de adestramento varia de acordo com o animal. Em média de seis meses a um ano e meio. Um cachorro não adestrado custa a partir de R$ 2 mil. O curso, incluindo alimentação, soma R$ 400 mensais. No entanto, depois é visto como um profissional de luxo. Cada um – treinado – vale, em média, R$ 7 mil.
Alguns cães treinados na escola já foram enviados para várias partes do país. Entre eles estados como o Alagoas, onde são utilizados em rebanhos de cabras e ovelhas.

Em Minas Gerais, assim como em Goiás e Mato Grosso, a principal utilização é para pecuária. Um único cão consegue controlar uma boiada com 100 cabeças de gado. Uma economia considerável para o pecuarista. “Uma diária de um funcionário não é barata. Eu não tenho que pagar a diária do cão. Além de ser meu amigo, é meu funcionário”, pontuou o pecuarista.

O cão não recebe férias ou qualquer outro benefício trabalhista. Além disso, reduz a mão de obra. E apesar de parecer o contrário, o ‘profissional’ não machuca o rebanho. “Eles tentam empurrar ‘no olho’, mostrando que o cão manda na situação, que o cão é um predador e o boi vem a ter medo. Nunca tivemos problemas com animais machucados. Já tivemos casos de pessoas que se machucaram fazendo o serviço. Depois que vieram os cães melhorou muito. Meu próprio pai que era contra, não faz mais este serviço sem ter um cão ao lado dele”, encerrou Célio.


Fonte: G1 - Publicado neste site em 19/04/2013


 

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