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Os cães são uma dádiva

CRÔNICAS - PEDRO JUNQUEIRA LOPES | PORTUGAL
AUTOR: PEDRO JUNQUEIRA LOPES

Deus, num gesto glorioso, criou Acão e Evadela para dar ao ser humano um companheiro de jornada. Os cães fazem cépticos os ateus – juntam, num só corpo e numa só alma, o supra-sumo da fidelidade e da fraternidade, seguem-nos em direção ao inferno e ao paraíso com a mesma confiança e determinação, e são criaturas cuja alma se alimenta da atenção que lhes damos. Criaturas únicas, portanto.

Na verdade, o cão é o produto de milhares e milhares de anos de interação entre o Homem e o lobo. Durante muito tempo, os lobos seguiram as comunidades humanas primitivas para se alimentarem dos restos das suas caçadas, no entanto, quando estas comunidades se começaram a sedentarizar, iniciou-se uma relação baseada no interesse mútuo: o Homem alimentava o lobo-cão e o lobo-cão protegia o Homem, a sua família e os seus bens. Este foi um processo muito longo e que viria a dar origem à mais forte aliança entre diferentes animais. Ainda hoje não se sabe se foi o Homem que domesticou o lobo ou se foi o lobo que se domesticou a si mesmo, tal e qual como acontece com os gatos. O mais provável, no entanto, é que tenham sido o lobo e o gato selvagem a domesticarem-se.

Ora, com o passar dos tempos, o Homem foi criando o cão para o ajudar a suprir diferentes necessidades. Criou os Galgos que, com a sua estrutura aerodinâmica, voam como flechas atrás das presas. Criou os Sabujos que, aliando o faro mais apurado dos diferentes grupos de cães com uma profunda resistência, atua na caça de forma mais metódica. Criou os Spitz para o ajudar a enfrentar os climas mais frios e rigorosos, sem os quais muitas tribos do árctico não teriam sobrevivido. Criou os Terriers para a caça subterrânea, os quais são pequenos, agressivos e determinados, por forma a enfrentar animais como os texugos, lontras e raposas. Quando descobriu que, se os cães fossem criados com ovelhas, cabras ou gado desde cachorros, olhariam por eles como se fossem da sua matilha, o homem nunca mais dispensou estes autênticos guardiães da atividade pecuária, genericamente denominados por Cães Pastor. Quando inventou a arma de fogo, criou os Cães de Tiro que são rápidos, obedientes e resistentes.

Na idade contemporânea, os cães são, essencialmente, animais de companhia, sendo considerados por muitas pessoas como um membro da sua família. Antigamente também existiam cães que serviam exclusivamente para companhia, principalmente para as mulheres, uma vez que passavam longas horas em casa. Assim se criou, por exemplo, o Caniche ou o King Charles Spaniel. Há muito tempo que se percebeu que a companhia destes animais é uma bênção.

Tal como os homens, existem cães que ficaram para a História. Argus, o fiel cão de Ulisses, representa bem, através da Odisseia de Homero, os melhores atributos de um cão – chegado à sua ilha, passados muitos e longos anos, o único ser que reconheceu Ulisses foi o seu companheiro canino. No central Park, em Nova Iorque, foi erigida uma estátua em homenagem a Balto e à sua matilha, através da qual, Gunnar Kaasen pôde, perante a neve que rodeava Nome, uma cidade no Alasca, ir de trenó buscar medicamentos até Nenana, uma cidade que ficava a 800 Kilometros de Nome, para salvar as crianças que tinham apanhado uma epidemia. Greyfriars Bobby, um Skye Terrier, tem uma estátua em Edimburgo, mandada erguer pela Lady Burdett-Coutts, como forma de homenagem ao cão que passou catorze anos a guardar o túmulo do seu dono. Uma história semelhante a esta é a de Hachiko, passada no Japão, onde um Akita permaneceu leal ao seu dono após a sua morte, dando origem a dois filmes, um realizado no próprio Japão e outro nos EUA. Escusado será falar de Laika, a cadela soviética que foi o primeiro ser vivo a orbitar o planeta terra através da nave Sputnik2, em 1957. Loukanikos, é um cão que, estando sempre presente nas manifestações de Atenas, tornou-se num símbolo da resistência grega contra os cortes da troika, o que faz dele um cão politizado. 'Marley and me', um livro baseado numa história real escrito pelo jornalista e escritor norte-americano John Grogan, é outro testemunho da popularidade canina, tendo sido, recentemente, convertido para cinema.

Na banda desenhada e na animação também existem os eternos cães: Snoopy, uma personagem criada por Charles Schulz, faz parte do imaginário colectivo ocidental; Scooby-Doo e Salsicha Rogers formam uma das duplas mais famosas de sempre; A Dama e o Vagabundo dão origem a uma das relações amorosas mais apreciadas no mundo infantil; Milu, um Fox Terrier, é outra personagem, criada por Hergé, que ficará para a história como o inseparável companheiro de Tintim; o Pateta, que é a minha personagem preferida dos Estúdios da Walt Disney, apesar de também nutrir uma enorme simpatia pelo Pluto; ou, ainda, Rantanplan, o fiel companheiro de Lucky Luke, que acompanha o cowboy de forma tranquila e com um andar desconcertado, como se estivesse alcoolizado.

Todo este texto foi escrito para que, numa altura em que o país vive uma vida de cão, nos lembremos que o cão é uma dádiva.


Fonte: Crónicas - Publicado neste site em 23/03/2013

 

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